sábado, 20 de dezembro de 2014

sétimo dia

Então hoje foi a missa de 7º dia do Tubinha. Foi bonito, bem bonito.

Quem me conhece sabe que acho essa coisa de missa de sétimo dia uma grande besteira sem sentido, eu odiei a do meu avô e até onde sei, a dele foi standart, ou seja, normalmente é como a do meu avô. Isto é, uma igreja aleatória na qual o padre faz uma missa como outra qualquer e só fala uma lista dos nomes dos mortos no final. Grande coisa.

A do Tuba não, foi feita especialmente para ele, no primeiro colégio dele. Só tinha gente que teve alguma relação com ele e nessa perspectiva, foi bonito.

Achei engraçado o fato de eu ter tido tanta vontade de ir à missa [até porque até então achava que seria do tipo standart]... mas, por algum motivo, senti que deveria ir. Eu não fui ao enterro e lamento muito por isso. Senti que precisava me "despedir" dele de alguma forma mas por que deveria ser aos moldes de Deus? E eu lá ligo pra "I"sso? Pois bem, o peso da moral comum pesou sobre mim e essa era a melhor forma de fazê-lo. Não que eu não quisesse ou que tenha ido obrigada, não! Foi justamente o sentimento de que essa era a melhor forma que chamou minha atenção. Gostei de ter ido, apesar de ter experienciado uma situação social estranha com alguns conhecidos. Foi a segunda vez que chorei por sua morte.

A primeira foi no cinema, no dia seguinte ao enterro. Logo nos primeiros 40 minutos de filme ou um pouco mais, tive uma sequência de choro forte, forte mesmo. Depois agora na missa. 

Não sei - já comentei sobre isso com o meu marido e meu psiq.-,  essa notícia mexeu comigo de um jeito que me surpreendeu. Isso porque nunca fui muito próxima do Tuba, apesar de sempre gostar quando estava por perto, mas a verdade é que nunca fomos amigos [tenho pra mim que por pura falta de oportunidade], mas eu gostava da presença dele, de como ele sempre foi um fofo e super carinhoso. Ainda assim não o conheci bem e nem com tanta frequência ele estava nas mesmas "baladas" que eu, além disso, há anos não o via. Então por que sofrer tanto? Eu fiquei triste de verdade. Por três dias isso influenciou absurdamente o meu dia. Hoje de novo.

Mas sabe, não importa. Importa mesmo é que tenho certeza que ele vai fazer falta no mundo. O jeito, o carinho, a atenção dele para com os amigos... dá pra sentir, ele faz falta.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

São João Batista 447

- Eu tenho uma notícia ruim para te dar.
- O que houve?
- É sobre o Tuba. Não tem forma melhor de eu falar. Ele morreu.


E foi assim que eu fiquei sabendo da morte dele. Disseram que o enterro foi agora, gostaria de ter ido. Mal consigo respirar, parece que a notícia está caindo aos poucos. Acho que daqui a pouco terei consciência do que aconteceu, agora ainda estou surpresa. Mas nem tanto. Isto é, quando soube que não foi acidental, me pareceu absurdamente natural e esperado. Não sei.

Ano passado tive uma conversa com uma moça que conheci na Alemanha. A irmã do namorado dela havia se lançado pela janela no início do ano e eles tiveram que viajar imediatamente para o Brasil. Falamos sobre essa experiência.  // Há muitos anos era convicta de que, para se matar, era preciso, antes de tudo, coragem. Coragem que eu nunca tive e que por anos desejei ter. De certa forma, sempre admirei suicidas, sempre vi neles pessoas vitoriosas. A experiência da Ana, porém, mudou meu foco. Ela conhecia bem a irmã do namorado e disse: "foi desespero". // É a partir dessa perspectiva que penso no Tuba. Me causa angústia. Ao mesmo tempo eu sei que pouco poderia ser feito. É uma convivência constante com um sentimento de inadequação no mundo. A sensação de que não se cabe ou pertence a lugar algum. 

É estranho, não me sinto à vontade para falar disso. Em pensar que já foi algo sobre o qual conversei com muita naturalidade, não sinto que sou apta a explicar o que se passa, o que se sente. Por outro lado, ainda sinto angústia. Ainda tenho algo muito subjetivo, impossível de explicar, mas que faz com que compreenda gestos de tal magnitude.

Que haja descanso.