domingo, 24 de junho de 2012

reticências

Antes, para quem se interessar:
Oficina de Encadernação na Clark Art Center,
Botafogo - RJ - 07 de julho (2012)

Não sei mais detalhes, até pretendo procurar saber essa semana, mas a última oficina oferecida por eles estava mais cara do que podia pagar na época, o que não deve ser diferente agora, pois continuo no processo de mobiliar a casa e talz.


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Está um dia lindo hoje, e essa varanda nunca foi tão convidativa. Mesmo com toda bagunça, gostaria de ter estrutura para sentar ali e aproveitar o leve sol da tarde acompanhado da brisa do mar, escrever esse post e depois, talvez, ler um conto do Isaac Singer.

Peguei o computador decidida a escrever várias coisas antes dar continuidade ao meu  projeto de inscrição para a Escola Aberta, separei inclusive uma matéria que li há algumas semanas e, de repente, pronto: travei.

Na verdade, não sei até que ponto devo considerar isso uma espécie de bloqueio ou uma forma de desistência, o fato é que receio não saber o limite entre o que deve continuar restrito à mim e aquilo que posso compartilhar com o mundo. Se dependesse da minha vontade, adoraria "jogar merda no ventilador". Acho que estou mais velha do que minha CNH informa, rs. Aliás, essa, especificamente, é uma sensação crescente em minha vida.

Estou sem um dos meus remédios diários há uns quatro dias e respirar começa a ser uma atividade de esforço novamente. Sinto que deveria, inclusive, aproveitar essa oportunidade, afinal, faz tanto tempo que não sei mais o que é ser deprimida, lembro bem pouco daquela dor perene, da imobilidade do corpo e a abrupta alternância entre a hipo e a hiperatividade da mente. Apenas sei que doía, e que era imensurável,
mas o tempo faz com que detalhes assim se diluam a ponto de só lembrarmos de que era difícil, mas ainda assim, nem tão difícil...  Tá aí uma coisa que me perturba um pouco na passagem do tempo. Por um lado é bom até, mas por outro, sei lá... acho que me deixou um pouco insensível no sentido de, por exemplo, naquele último filme do Lars Von Trier (Melancholia): lembro de sair do cinema e comentar com meu marido sobre a atitude da personagem interpretada pela Kirsten Dunst como se ela fosse uma idiota, mas aí, "blehpht!", levei um "tapa na cara" com sua resposta (nem um pouco agressiva, mas como se estivesse mesmo confuso, sabe?),  algo como: "ué, pelo que você normalmente fala sobre seu passado, achei que você fosse ser mais compreensiva com ela". E não é que ele estava absolutamente certo? Na época do filme eu me identifiquei mais com o papel daquela outra atriz, que trabalhou no Anticrist também, e nem percebi o quanto tinha sido injusta para com a personagem da Dunst até ele me responder desse jeito. De alguma forma, isso (o meu comentário e seu desenrolar) nunca saiu da minha mente.

Boa semana a todos,
Smacks!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

rio+20 X caos

Bem que eu gostaria de ter escrito este post ontem, quando estava muito, mas muito furiosa mesmo com esse negócio de Rio+20! Aliás, meus comentários de hoje não tem nada a ver com design, casamento ou seja lá o que esteja rodeando a minha vida nesse período senão a porcaria do trânsito nesta maldita cidade caótica.

Acredita que ontem saí de de casa  uma hora e meia antes de um compromisso em copa para, depois de mais de quarenta minutos exposta a um sol digno do Rio de Janeiro - para quem não sabe, os pontos de ônibus localizados na orla não tem sombra alguma - ter de desmarcar meu médico porque até aquela hora não havia passado uma porcaria de transporte pra lá? Aff^^... Até aí tudo mais ou menos, porque tinha a possibilidade de ir com uma amiga ver a instalação da Bia Lessa por lá também e, não tendo conseguido ir ao médico e imaginando o transtorno que seria voltar para casa, tive de cancelar isso também.

Ok.Aproveitei o fato de já ter saído de casa e resolvi passar no fórum para ver se a penhora da Tim já tinha sido feita e (tah dah!), ao chegar lá, descobri que não poderia entrar devido ao comprimento do meu short, que não era nem um pouco curto! Tudo bem, lá tem regras e talz, mas o problema é que já vi muitas mulheres lá com saia/vestido muito mais curto que o tal do short que vestia ontem*1 e, provavelmente, só porque no regimento interno deve estar escrito que não pode entrar de bermuda curta e não mencionar nada a respeito de saia ou vestido, fui barrada. Legal, regras são regras mesmo quando hipócritas e não estava disposta a discutir com quem quer que fosse (até porque nesse caso não ia adiantar nada, a não ser estragar mais ainda o meu dia e deixar a guardinha lá de péssimo humor)... Liguei pro Fabricio só para reclamar mesmo - não sei quanto a vocês, mas as vezes só o fato de reclamar já me deixa menos estressada -, que então sugeriu que fosse ao shopping comprar uma calça, já que era tudo grudado. De verdade, não demorei para comprar uma calça (e um short muito fofo que estava 20reais!!!) na C&A*2, me trocar no banheiro do shopping e retornar ao fórum...nisso já estava morrendo de fome!

Tudo isso pra quê? Para nada! O processo ainda está em fase que conclusão, na mesa do juiz! Que ódio!
Isso tudo porque dei entrada naquele tipo de processo que não requer advogado e ainda fiz acordo com a vadia da empresa! Babacas.

Por fim, resolvi voltar para casa. Fui até o ponto (desta vez não contei quanto tempo demorou, mas foi muito mesmo) e aguardei o circular da Barra, que só para chegar na Alvorada (gente, Barra Shopping |A| e Alvorada |B| são bem perto um do outro. Veja o mapa com o trajeto ao lado), demorei, sem brincadeira, uma hora! Sim, 60 minutos! Obviamente, não moro na Alvorada, então demorei mais de uma hora para chegar em casa! É claro que essa demora toda não se deu apenas pela Rio+20,a Barra está um canteiro de obras, mas creio que o problema de falta de ônibus do início da "saga" foi, em grande parte, por isso.

Conclusão: chequei em casa quase quatro horas da tarde para não fazer absolutamente nada. Isso me deixa muito irritada! Só consegui relaxar mesmo bem mais tarde, todo o estresse o dia foi terrível.


Smacks!

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notas
1*Tenho ido bastante ao fórum por conta de um processo que abri contra a Tim no início do ano passado e que até agora não consegui receber minha indenização acordada com a empresa no início de fevereiro deste ano. Eles tinham que ter depositado o valor em juízo até 20 e puquinho de março sob multa de 20 %. Cara#$&, já entrei com dois pedidos de penhora porque até agora nada!
É uma situação ridícula e, poxa, eu tenho uma situação privilegiada por conta de um trabalho liberal e morar bem perto do fórum. Fico imaginando quem não tem (grande maioria), como faz. É claro que deixa pra lá! Sem falar que não sei o que acontece por aqui que parece ser tudo muito corporativista no sentido de temer a falência das grandes empresas. Deixe-as falir, (havendo esta possibilidade de fato, duvido que não nos tratassem com respeito) mas não deixem que descumpram contratos e façam o consumidor de idiota, raios! Sei que depois disso, sinto ódio da Tim só de ver outdoor, propaganda na TV ou seja lá o que for. Tomei antipatia até pelos atores propaganda desta bosta! rs.

2* Não entendo isso, algumas pessoas me acham meio metida (na verdade um pouco mais que isso), principalmente da minha família mais próxima, mas, deles todos, sou a única que uso roupa seja lá de onde for, da feira da Rocinha à Cori ou qualquer uma que seja. Óbvio que, na categoria fast fashion, dou preferência sempre a ZARA. Ah... esse lugar é a perdição do meu cartão de crédito! Acho que não entro numa há meses só para não ter a tentação, rs. Mas sei lá, conheço gente que não usa roupa dessas lojas populares e acho meio estranho, tudo bem que tem a questão conforto e acabamento, super-importantes, claro, mas vai, dá para garimpar coisas legais ou com bom potencial para ser transformado posteriormente. Para roupas, só tenho uma regra adotada há alguns anos: não uso camisetas com estampas grandes de marca. Acho horrível. Qual o motivo de pagar cem reais ou mais numa camiseta de malha escrita Puma, por exemplo? Engraçado que sempre fui um pouco assim... quando era pequena (início da adolescência ou menor, talvez), tirava o rótulo de tudo, absolutamente tudo (!) no banheiro social só para não fazer propaganda de graça, rs. Detalhe: praticamente só eu usava aquele banheiro, já que minha mãe não recebia visita e eu praticamente nunca podia levar "coleguinhas" pra lá.

domingo, 17 de junho de 2012

carta na manga: escola aberta no rio de 06 a 11 de agosto (2012)

Out! Quanto tempo sem aparecer... não gosto de indisciplina, rs.
Na verdade, já tinha até desligado tudo, tomado um bom mocha e talz, mas aí me lembrei de que  não passo aqui há duas semanas (ou quase, sei lá) e liguei tudo denovo. Não que tenha muitos fãs (será que tenho?), mas é que preciso de disciplina para não enlouquecer de vez!

O Fabricio até perguntou : "pow, você vai conseguir escrever um texto em 10/15 minutos?" - é, aqui em casa tem horários bem determinados. Quer dizer, hora para acordar e hora para desligar tudo e parar de trabalhar seja lá no que for. Daí eu disse: "Ah, mas já sei do que vou falar"

Então gente, vocês estão sabendo da Escola Aberta?

Como já disse, não tenho muito tempo para escrever, mas colegas designers e interessados, leiam o site. Vai ser de graça e as inscrições vão até 01 de julho. Então corram para elaborar algo interessante.

É isso, boa sorte pra "nóis", rs!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

pausa para café e cigarro acaba em manifesto

fique atento

A oficina "isto ? é arte", ministrada pelo "gaúcho paulistano" Rogério Rauber, graduado em arquitetura e urbanismo pela Unisinos, parece estar em turnê e, embora não saiba ao certo se vai rolar ou não por aqui (vi no face de um conhecido que sim), é bom ficar de olho. Não tenho muitas informações sobre isso, mas, segundo Rauber,
"Nesta oficina vivenciamos métodos que expandem o contexto habitual dos procedimentos artísticos. Os participantes tem a oportunidade de acessar uma criatividade renovada e, daí, mais eficaz, diversificada e potente. E também melhor sintonizada com questões internas (emergidas do universo poético do participante) e externas (nosso imenso e variado patrimônio histórico e contemporâneo).
Os convidados a participar são pessoas que gostariam de saber mais sobre arte, mesmo já tendo alguma experiência ou, como muitos dizem, tendo "talento nenhum". As vivências elucidarão: arte não depende de dons especiais. Pois é uma atividade inerente à (e fundadora da) própria condição humana. A arte está essencialmente inserida na nossa caminhada histórica e no nosso dia-a-dia, muito mais do que normalmente supomos. E tem um papel insubstituível na nossa saúde física e mental. Da mesma forma, a arte está ligada à nossa atividade cotidiana, seja ela qual for. Pois mesmo o profissional que se supõe mais distante de uma atividade artística pode (e até precisa, por responsabilidade com sua atuação) se beneficiar com o conhecimento artístico, já que ele gera soluções inesperadas para as mais diversas questões.
A prática é articulada com a análise e debate de trabalhos artísticos clássicos e contemporâneos."


Agora sim, "pausa para café e cigarro"
Um breve intervalo no trabalho que estou fazendo para uma revista virtual.1*

Interessante esse negócio de gostar muito daquilo fazemos. Ontem estava mega.ansiosa para chegar em casa e me dedicar a esse projeto... Sabe, é cansativo (como qualquer coisa se torna quando praticada constantemente), mas adoro uma extensa "massa de texto" cheia de recortes! 
Apesar de meu maior interesse ser em projetos de capas de livros, não dá para não comentar sobre o prazer que um bom grid proporciona... Para quem não sabe - e até cerca de um ano e meio atrás eu não sabia - design de livros não tem a ver com design da capa do mesmo na perspectiva que se ocupam de questões diferentes e, por isso, na grande maioria das vezes, são feitas por pessoas distintas - pelo menos deveria ser.

A grosso modo, o designer de livros dá conta do design interno do livro (o miolo) e, segundo Richard Hendel,
 "é bem diferente de todos os outros tipos de design gráfico. O trabalho real de um designer de livro (...) é descobrir como colocar uma letra ao lado da outra de modo que as plavras do autor pareçam saltar da página.(...) Um bom design só pode ser feito por pessoas (...) que perdem tempo em ver o que acontece quando as palavras são postas num tipo determinado."2*
E eu amo fazer isso (!) - para tudo, seja no trabalho ou em outros âmbitos da vida 3* -, não aquieto até encontrar a forma mais adequada de "organizar/apresentar" o que quer que seja e posso dizer com toda sinceridade a imensurável "paz interior" que é apreciar um extenso corpo de texto devidamente formatado, um livro bem diagramado, com um projeto de capa cuidadoso e por aí vai, até chegar naquela questão que insisto em defender:  

NÃO COMPRE LIVRO FEIO - pelo menos não pelo valor abusivo que costumam ser oferecidos!

Um "livro feio" não é apenas um "livro feio", mas sim produto de uma sequência de desleixo ao longo de sua  produção. Adquirir um livro desses é como comprar uma roupa com erro de modelagem ou costura, um notebook arranhado ou móveis de mostruário desgastados pelo uso de milhões de clientes que passaram pelo local e,  por isso, deve ser oferecido com um bom desconto. 

Por exemplo, quando somente a Imago detinha os direitos autorais das obras de Freud no Brasil (agora não mais, pois já são de domínio público devido ao tempo da morte do autor), um exemplar (ou seja, um volume) era vendido por um valor que raramente era inferior a 70 reais. Sei que sempre que vou falar de uma edição ruim acabo recorrendo à esta maldita publicação, mas isso se dá porque, pra mim, não há exemplo pior e mais canalha de "abuso editorial", já que esta edição, além de horrível (ok, isto é algo subjetivo), tinha o miolo com papel um de péssima qualidade e, como se não bastasse, a capa era como as das piores publicações de pockets (com relação à matéria-prima, pois há muita edição bem feita em formato pocket) e, ainda assim, era vendida por um preço de livro bem cuidado... Acaba que, falando disso tudo, lembrei da minha reação em 2010 - ano em que a produção de Freud virou domínio público - quando vi, pela primeira vez, a proposta da CIA das Letras para o mesmo conjunto de títulos. É compreensível que a nova edição parecesse melhor apenas pelo contraste com a anterior, mas não! Para mim, o trabalho gráfico feito pela CIA das Letras é realmente muito bom, digno de prêmio Cosac! 4*


Bem, meu post completamente despretensioso acaba de se tornar praticamente um manifesto, rs!

Boa semana a todos ;)


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1* Não, este blog não é editado pela Globo! Já repararam que tudo deles é assim: bla bla bla num evento de moda = SPFW? É, eles tem esse péssimo hábito de "informar desinformação", pois nunca mencionam o nome de absolutamente nada que não tenha um acordo com a emissora. Acho isso péssimo! Mas enfim, a tal revista é a Ekstasis: Revista de Hermenêutica e fenomenologia. Apesar de atuar neste projeto desde o início - e já ter desenvolvido a identidade visual e talz - prefiro aguardar o lançamento da primeira edição antes de desenvolver muito sobre a coisa.

2* HENDEL, Richard. O Design do Livro. Ateliê Editorial. Cotia, São Paulo. 2003. pg 03.

3* fui diagnosticada com toc severo há uns dois anos, eu acho, e desde então tomo meu fiel e inseparável aliado Anafranil, sem o qual minha vida seria inviável, rs.  Qualquer dia posso falar mais sobre isso, mas foi só para deixar claro que este hábito de testar diferentes possibilidades de organização é uma "verdade literal", rs.

4* Não que esse prêmio exista de fato, mas, como a Cosac é a maior referência do país em "amor" ao que faz, acabo falando assim das edições concebidas com "carinho".