fique atento

A oficina "isto ? é arte", ministrada pelo "gaúcho paulistano" Rogério Rauber, graduado em arquitetura e urbanismo pela Unisinos, parece estar em turnê e, embora não saiba ao certo se vai rolar ou não por aqui (vi no face de um conhecido que sim), é bom ficar de olho. Não tenho muitas informações sobre isso, mas, segundo Rauber,
"Nesta oficina vivenciamos métodos que expandem o
contexto habitual dos procedimentos artísticos. Os participantes tem a
oportunidade de acessar uma criatividade renovada e, daí, mais eficaz,
diversificada e potente. E também melhor sintonizada com questões
internas (emergidas do universo poético do participante) e externas
(nosso imenso e variado patrimônio histórico e contemporâneo).
Os convidados
a participar são pessoas que gostariam de saber mais sobre arte, mesmo
já tendo alguma experiência ou, como muitos dizem, tendo "talento
nenhum". As vivências elucidarão: arte não depende de dons especiais.
Pois é uma atividade inerente à (e fundadora da) própria condição
humana. A arte está essencialmente inserida na nossa caminhada histórica
e no nosso dia-a-dia, muito mais do que normalmente supomos. E tem um
papel insubstituível na nossa saúde física e mental. Da mesma forma, a
arte está ligada à nossa atividade cotidiana, seja ela qual for. Pois
mesmo o profissional que se supõe mais distante de uma atividade
artística pode (e até precisa, por responsabilidade com sua atuação) se
beneficiar com o conhecimento artístico, já que ele gera soluções
inesperadas para as mais diversas questões.
A prática é articulada com a análise e debate de trabalhos artísticos clássicos e contemporâneos."
Agora sim, "pausa para café e cigarro"
Um breve intervalo no trabalho que estou fazendo para uma revista virtual.1*
Interessante esse negócio de gostar muito daquilo fazemos. Ontem estava mega.ansiosa para chegar em casa e me dedicar a esse projeto... Sabe, é cansativo (como qualquer coisa se torna quando praticada constantemente), mas adoro uma extensa "massa de texto" cheia de recortes!
Apesar de meu maior interesse ser em projetos de capas de livros, não dá para não comentar sobre o prazer que um bom grid proporciona... Para quem não sabe - e até cerca de um ano e meio atrás eu não sabia - design de livros não tem a ver com design da capa do mesmo na perspectiva que se ocupam de questões diferentes e, por isso, na grande maioria das vezes, são feitas por pessoas distintas - pelo menos deveria ser.
A grosso modo, o designer de livros dá conta do design interno do livro (o miolo) e, segundo Richard Hendel,
"é bem diferente de todos os outros tipos de design gráfico. O trabalho real de um designer de livro (...) é descobrir como colocar uma letra ao lado da outra de modo que as plavras do autor pareçam saltar da página.(...) Um bom design só pode ser feito por pessoas (...) que perdem tempo em ver o que acontece quando as palavras são postas num tipo determinado."2*
E eu amo fazer isso (!) - para tudo, seja no trabalho ou em outros âmbitos da vida 3* -, não aquieto até encontrar a forma mais adequada de "organizar/apresentar" o que quer que seja e posso dizer com toda sinceridade a imensurável "paz interior" que é apreciar um extenso corpo de texto devidamente formatado, um livro bem diagramado, com um projeto de capa cuidadoso e por aí vai, até chegar naquela questão que insisto em defender:
NÃO COMPRE LIVRO FEIO - pelo menos não pelo valor abusivo que costumam ser oferecidos!
Um "livro feio" não é apenas um "livro feio", mas sim produto de uma sequência de desleixo ao longo de sua produção. Adquirir um livro desses é como comprar uma roupa com erro de modelagem ou costura, um notebook arranhado ou móveis de mostruário desgastados pelo uso de milhões de clientes que passaram pelo local e, por isso, deve ser oferecido com um bom desconto.
Por exemplo, quando somente a Imago detinha os direitos autorais das obras de Freud no Brasil (agora não mais, pois já são de domínio público devido ao tempo da morte do autor), um exemplar (ou seja, um volume) era vendido por um valor que raramente era inferior a 70 reais. Sei que sempre que vou falar de uma edição ruim acabo recorrendo à esta maldita publicação, mas isso se dá porque, pra mim, não há exemplo pior e mais canalha de "abuso editorial", já que esta edição, além de horrível (ok, isto é algo subjetivo), tinha o miolo com papel um de péssima qualidade e, como se não bastasse, a capa era como as das piores publicações de pockets (com relação à matéria-prima, pois há muita edição bem feita em formato pocket) e, ainda assim, era vendida por um preço de livro bem cuidado... Acaba que, falando disso tudo, lembrei da minha reação em 2010 - ano em que a produção de Freud virou domínio público - quando vi, pela primeira vez, a proposta da CIA das Letras para o mesmo conjunto de títulos. É compreensível que a nova edição parecesse melhor apenas pelo contraste com a anterior, mas não! Para mim, o trabalho gráfico feito pela CIA das Letras é realmente muito bom, digno de prêmio Cosac! 4*
Bem, meu post completamente despretensioso acaba de se tornar praticamente um manifesto, rs!
Boa semana a todos ;)
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1* Não, este blog não é editado pela Globo! Já repararam que tudo deles é assim: bla bla bla num evento de moda = SPFW? É, eles tem esse péssimo hábito de "informar desinformação", pois nunca mencionam o nome de absolutamente nada que não tenha um acordo com a emissora. Acho isso péssimo! Mas enfim, a tal revista é a Ekstasis: Revista de Hermenêutica e fenomenologia. Apesar de atuar neste projeto desde o início - e já ter desenvolvido a identidade visual e talz - prefiro aguardar o lançamento da primeira edição antes de desenvolver muito sobre a coisa.
2* HENDEL, Richard. O Design do Livro. Ateliê Editorial. Cotia, São Paulo. 2003. pg 03.
3* fui diagnosticada com toc severo há uns dois anos, eu acho, e desde então tomo meu fiel e inseparável aliado Anafranil, sem o qual minha vida seria inviável, rs. Qualquer dia posso falar mais sobre isso, mas foi só para deixar claro que este hábito de testar diferentes possibilidades de organização é uma "verdade literal", rs.
4* Não que esse prêmio exista de fato, mas, como a Cosac é a maior referência do país em "amor" ao que faz, acabo falando assim das edições concebidas com "carinho".