sábado, 19 de julho de 2014

429 dias depois

Quer dizer que de repente eu resolvi retomar o blog? Não. Eu pensei em vir aqui antes, mas... sei lá... Então por quê hoje? Também não sei, mas posso dar um palpite: tédio em pleno sábado.

Pois bem, o que mudou desde o último post? Não muita coisa, mas todas consideráveis. // não necessariamente nessa ordem //

Voltei para o Brasil.

Me inscrevi na faculdade. Affˆˆ, achei que fosse eliminar um monte de matérias e que faltaria no máximo um ano para me formar, mas não foi bem assim. Consegui dispensa de um conjunto de matérias relativo a um período e meio, no máximo. Achei engraçado porque, de acordo com meu histórico na instituição anterior, já tinha 80% do curso concluído. É, mas não dá. Aquele curso serviu, principalmente, para concluir que não sou muito fã de animação e que eu o-d-e-i-o 3d. Sério, só consegui fazer a matéria do primeiro período. De fato, isso não é pra mim. 
Dessa vez, estou muito mais esperançosa, apesar de ter aspectos bem negativos [como só ter aula a noite, por exemplo], porque tem muito mais a ver comigo e com meus projetos atuais. Espero que os professores de lá sejam tão bons quanto os que tive na UVA [tirando dois sujeitos, especialmente um que roubou meus trabalhos oO | sou tão p. com esse cara que, nossa, tenho vontade de lhe socar a cara e as banhas só de visualizar uma foto daquele imbecil | O outro foi um que falava falava e não dizia nada. Tinha uma postura de "vamos trabalhar, produzir" e, no final, só sabia enrolar, sabe? Esse caso foi mais de frustração mesmo, principalmente porque a matéria, de acordo com a ementa, tinha tudo para ser incrível e era a que mais me interessava naquele semestre.

Aprendi e esqueci muita coisa de alemão. - eu até estudo com certa regularidade, mas não tanto quanto gostaria. Quer dizer, não é bem assim. Desse jeito parece que não tenho tempo, mas não é isso. Eu não estudo alemão tanto quanto gostaria porque não tenho saco mesmo. Não sou nem um pouco autodidata e confesso enfrentar uma batalha mental até abrir o livro. O engraçado é que, depois que venço esse step, eu adoro estudar alemão - o que nunca aconteceu com nenhum outro idioma.

Fabricio e eu adotamos uma cachorrinha que se chamava Lua, mas já atende perfeitamente por Lola. Estamos com ela há uns dois meses. É, acho que a pegamos pouco antes de completar um mês da nossa volta. Já estávamos decididos a adotar um cachorrinho, afinal, alguma coisa positiva tinha que ter depois de TER que voltar pra cá.

No final da estadia em Freiburg, conheci uma pessoa incrível  com a qual estou tendo a felicidade de construir uma amizade. Várias coincidências nos possibilitaram manter contato depois que voltamos - é que ela estava exatamente na mesma situação que eu [acompanhando o marido num doutorado sanduíche e aproveitando para aprender alemão] e retornamos na mesma época, na verdade, com um dia de diferença só, rs. Mas então, olha só que coisa, ela é vizinha de rua da minha mãe! Numa cidade gigante como São Paulo, já é surpreendente encontrar quase que do outro lado do mundo alguém do mesmo bairro, né? 
Ainda em Freiburg, fui apresentada a outros brasileiros e passamos dias muito agradáveis. Narrando essas coisas, acabei de lembrar de um dia em especial, no qual almoçamos todos juntos num restaurante que Fabricio e eu descobrimos meses antes e que tinha um Flammkuchen maravilhoso. Estava um dia mais que agradável, bonito mesmo. Só faltou um outro conhecido, que tinha passado mal na noite anterior e preferiu ficar em casa mesmo. Aaaaaaaaaaaainh que saudade! Que vontade de abraçar aquelas meninas!

***

Estou lendo a biografia do Kurt Cobain, aquela que saiu há 10 anos atrás, na ocasião do aniversário de 10 anos de sua morte. Eu tenho esse livro desde a época de seu lançamento, mas essa é a primeira vez que resolvi ler. Não teve nenhum motivo especial, apenas não estava a fim de ler nada que tivesse a ver com meu trabalho, queria uma coisa para relaxar e esse livro estava lá.
O engraçado é que eu jamais poderia imaginar que ler esse livro mexeria tanto comigo. Eu não sei, é um sentimento conflituoso, uma montanha-russa para o passado que parece que não estava preparada para enfrentar - e eu nem sabia disso.
Outro dia [mais de um mês ou dois antes de começar a ler a tal biografia] comentei com o meu marido que frequentemente a voz do Kurt me faz querer chorar. Especialmente quando ele grita. Ele grita e é como se fosse [ou é] aquela menina perturbada que fui no início da adolescência. Não que depois eu tenha deixado de ser perturbada na adolescência, mas é que a menina virou outra [e depois outra e outra...] Mas ler este livro, especialmente quando chegou na segunda metade da década de 1980, tem sido bastante desafiador. Não que nossas histórias se pareçam, mas é que nessa época ele começou a compor canções que se tornaram a trilha sonora de um período da minha vida e uma pequena referência à letra é suficiente para me colocar de cara com aquela pirralha.
Hoje mesmo lembrei que fui jogando fora uma infinidade de diários atrozes produzidos desde sempre e lamentei porque, de alguma forma, esse livro me faz desejar olhar para aquela garota de perto e a investigar melhor. Cresci ouvindo minha madrinha dizer que a adolescência é a melhor fase da vida e rapidamente descobri que ela não poderia estar mais enganada.